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Morte anunciada

Estou ainda um pouco chocada com esta noticia que acabei e ler. Um homem de 36 anos, portador de sérios problemas psicológicos decapitou a própria mãe e passeou-se com a cabeça dela pelas praças da vila. Tudo isto aconteceu ontem à noite em Espanha, mas o mais arrepiante ainda está por vir… Então vejamos, esta senhora, Teresa Macanás, sofreu durante anos a fio maus tratos por parte do filho, por 4 vezes apresentou queixa contra ele, e por várias vezes havia já sido hospitalizado dados os seus problemas de esquizofrenia. O que é certo é que em 2001 esta senhora denúnciou o problema às televisões, vejam o video :

Este caso drámatico e perfeitamente inevitável, recorda-me um pouco algumas situações vividas em Portugal. Primeiro a situação das mulheres agredidas, que no nosso país apesar de alguns avanços continua a não sortir efeito. O que é certo é que muitas das mulheres que recorrem às policias locais são por vezes gozadas, achincalhadas com frases do tipo “Se levaste foi porque fizeste alguma” entre outras, os agressores acabam por ser avisados e as vitimas são obrigadas a partilhar com eles o mesmo espaço, como se nada tivesse ocorrido. Uma outra situação é a das crianças, um assunto felizmente já mais falado mas que ainda assim continua com problemas. Os maltratos e negligência feitas a crianças continua a ser extremamente popular em Portugal, os casos de denúncia são cada vez maiores (porque nisso o nosso país parece bater recordes), mas as entidades competentes continuam pouco eficientes e por isso muitos casos acaba por ser tarde de mais. Por fim, os maltratos feitos contra idosos é algo assolador e em crescimento, e infelizmente, muito pouco divulgado. Todos de nós devemos ter um parente mais velhinho ou algo do género e todos sabemos como se torna dificil, particularmente com o ritmo de trabalho que hoje nos é exigido, conseguir prestar a assistência necessária a estas pessoas. Mas ainda assim, muitos idosos são abandonados em hospitais por familiares, alguns são postos na rua e outros vivem em situações bastante precárias, porque estão sozinhos. Isto é simplesmente abominável e deve-nos fazer pensar um pouco, porque todos nós (particularmente com o crescente aumento da esperança média de vida) corremos o risco de passar pelo mesmo ou pior.

Como é possivel observar são muitos os problemas a resolver no âmbito de maus tratos e da negligência/ineficiência das entidades competentes, no entanto estou em crer que uma sociedade mais forte pro-activa ajudariam em muito a desenvolver estes problemas. Quanto às crianças parece-me que o terreno começa agora a estabelecer-se mas os restantes grupos de risco (e existem mais para além destes referidos) continuam a sofrer por falta de assistência, apoios e por vezes, uma simples voz amiga de encorajamento e consolo. Esta senhora que durante anos sofreu os abusos dos filhos era tida como muito querida na aldeia. Proprietária de uma papelaria era conhecida por todos e por certo o seu caso familiar, no entanto, nenhum dos seus queixumes foi ouvido e este final triste, por ela já à muito anunciado, acabou por acontecer. Só como nota final, quando o filho foi encontrado pela policia com a cabeça da mãe envolta num trapo, o seu único comentário foi: “Matei-a. Agora está calada, gosto muito mais dela agora”.

Porque o silêncio não é nunca uma solução, vamos fazer barulho!

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